...o homem, por ser homem, por ter consciência, já é, em relação ao burro ou a um caranguejo, um animal doente. A consciência é uma doença.
Por certo que o “homem de carne e osso”, de Unamuno, é tudo, menos um homem, de carne e osso. Ele quer-se-nos afigurar como um deus, mas ser um homem de carne e osso parece sempre ser muito menos ou muito mais que um deus: pois o deus é, antes de tudo, um amigo da eternidade; enquanto o homem de carne e osso, pelo contrário, como a tempestade que irrompe voraz da vastidão surda do oceano, faz calar a todas as eternidades essa palavra, “eternidade”, quer dizer, para ele, antes uma força impiedosa que faz gritar, em seu inquieto peito, mil corações.
Aquele que nasceu para o que é grande e difícil, e criou para si um destino o de ser senhor da eternidade, de conquistá-la : eis o “homem de carne e osso”, que é, diga-se, o único homem!
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